“Será que ele vai comer tudo?” Essa é uma pergunta bastante comum entre pais e responsáveis que montam a lancheira de uma criança que apresenta pouco apetite. E a preocupação faz sentido: o lanche levado para a escola precisa contribuir para a alimentação do dia, mas não deve se transformar em uma disputa entre a criança e o prato.
Para a nutricionista Giovana Diniz Melo, o primeiro passo é entender que o recreio é uma refeição intermediária. “O lanche do recreio ou lanche escolar tem o objetivo de manter a energia, a concentração e a glicemia estáveis até a refeição principal, sem sobrecarregar a digestão ou tirar o apetite do almoço ou jantar”, explica.
Isso significa que a pergunta não deveria ser apenas “quanto meu filho come?”, mas também o que está sendo oferecido, em qual quantidade, como esse alimento é apresentado e como a criança se relaciona com a refeição.
Veja também: Da Educação Infantil ao Ensino Fundamental: o que muda na lancheira do seu filho?
Afinal, quanto a criança precisa comer no recreio?
Não existe uma quantidade única que sirva para todas as crianças. O apetite pode variar de acordo com idade, crescimento, nível de atividade física, horário das refeições e necessidades individuais.
Parâmetros utilizados no planejamento da alimentação escolar consideram a faixa etária e o contexto das refeições oferecidas pela escola. No caso do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), por exemplo, as necessidades nutricionais são calculadas para o conjunto da alimentação escolar, considerando o número de refeições oferecidas e o perfil dos estudantes, e não como uma meta individual que cada criança precisa obrigatoriamente atingir no recreio. [1]
Para uma criança que costuma comer pouco, Giovana recomenda olhar especialmente para a qualidade da combinação e o tamanho da porção.
“Uma lancheira equilibrada em quantidade e nutrientes deve conter uma porção de cada um dos três grupos: uma porção de carboidrato, que dá energia; uma porção de proteína, relacionada à saciedade e ao crescimento; e uma porção de fruta, que fornece fibras e vitaminas”, explica.
A nutricionista acrescenta ainda a bebida, especialmente para contribuir com a hidratação, e lembra que uma fonte de gordura também pode fazer parte da composição, dependendo da refeição.
Na prática, isso pode significar combinar alimentos de diferentes grupos sem necessariamente montar uma lancheira grande. Para uma criança que come pouco, uma porção adequada de cada componente pode ser mais interessante do que oferecer uma grande quantidade de opções.
Criança que come pouco precisa de uma lancheira menor?
Pode ser uma boa estratégia. Quando a criança tem pouco apetite, uma lancheira cheia pode acabar parecendo ainda maior aos seus olhos. Por isso, trabalhar com porções menores pode ajudar a tornar a refeição mais simples e possível de consumir dentro do tempo do recreio.
Giovana também destaca a importância do fracionamento ao longo do dia. “Trabalhar com pequenas porções na rotina alimentar é uma estratégia nutricional eficiente para organizar o fracionamento das refeições, facilitar a digestão e introduzir fibras de maneira tolerável pelo organismo.”
Esse cuidado é especialmente relevante quando a família está aumentando a quantidade de fibras da alimentação. Frutas, aveia, sementes e outros alimentos ricos em fibras podem fazer parte da rotina, mas a introdução deve respeitar a tolerância individual da criança.
“Podemos iniciar fazendo uma introdução gradual de fibras, usando porções fracionadas, promovendo assim uma adaptação intestinal de forma progressiva, evitando distensão abdominal, gases e desconfortos gastrointestinais”, orienta a nutricionista.
A hidratação acompanha esse processo. A ingestão adequada de líquidos ao longo do dia é importante para o funcionamento intestinal e para que o aumento de fibras seja bem tolerado. [2]
Veja também: Estratégias para montar a lancheira de crianças com seletividade alimentar
E o alimento favorito? Pode ir todos os dias na lancheira?
É tentador repetir aquilo que a criança aceita sem resistência. Afinal, se ela come aquele alimento, por que não colocá-lo diariamente? Para Giovana, porém, a variedade continua sendo importante. “O Guia Alimentar para a População Brasileira recomenda fazer de alimentos in natura ou minimamente processados a base da alimentação, em grande variedade e predominantemente de origem vegetal”, afirma.
A recomendação do Guia Alimentar é justamente que a alimentação seja baseada em alimentos in natura ou minimamente processados e que diferentes grupos e tipos de alimentos façam parte da rotina. [3]
A variedade permite que a criança tenha contato com diferentes alimentos e, consequentemente, com diferentes nutrientes, sabores e texturas. Por isso, mesmo que exista uma fruta, um pão ou outro alimento preferido, vale alterná-lo com outras opções.
A mudança não precisa ser radical. Um alimento bem aceito pode continuar aparecendo na lancheira enquanto outros são introduzidos gradualmente. O objetivo não é retirar da criança aquilo de que ela gosta, mas evitar que a preferência por um único alimento determine toda a composição da alimentação.
Chamyto pode fazer parte da lancheira em diferentes combinações
Na hora de montar uma lancheira para uma criança que come pouco, alimentos que sejam práticos, familiares e fáceis de consumir podem facilitar a rotina. É nesse contexto que, segundo Giovana, leites fermentados e iogurtes podem entrar em diferentes combinações.
“Sabemos que o leite fermentado e o iogurte são fontes de proteína, cálcio e probióticos. Eles combinam bem com alimentos que complementam esses nutrientes ou adicionam fibras e carboidratos de qualidade na alimentação escolar”, explica.
O Chamyto, por exemplo, pode ser combinado com outros alimentos para compor o lanche, em vez de aparecer necessariamente sozinho.
Entre as sugestões da nutricionista estão:
- Leite Fermentado Chamyto + fruta, acrescentando uma fonte de fibras e variedade ao lanche;
- Leite Fermentado Chamyto + alimento à base de cereais, para combinar diferentes componentes da refeição;
- Iogurte Chamyto Go de morango + frutas picadas + aveia, criando uma preparação com diferentes texturas;
- Iogurte Chamyto Go de Vitamina de frutas + frutas + sementes, quando esses alimentos já fazem parte da alimentação da criança;
E quando ainda assim a lancheira volta cheia?
Esse é um dos momentos que mais podem gerar ansiedade nos pais. A criança chega em casa, a lancheira está praticamente intacta e surge a preocupação: “Ela não comeu nada”. Mas, antes de transformar o episódio em uma cobrança, Giovana sugere investigar o que aconteceu. “O recreio é um momento social e muito estimulante, onde a prioridade da criança costuma ser brincar”, explica.
Pode ter faltado tempo para comer, a criança pode ter ficado envolvida em uma brincadeira, conversando com os colegas ou encontrado dificuldade para abrir uma embalagem. Também pode simplesmente não ter sentido fome naquele momento.
Por isso, a nutricionista recomenda olhar para a situação com empatia, em vez de concluir imediatamente que a criança rejeitou a comida.
Pressionar pode piorar a relação com a alimentação
Quando a lancheira volta cheia, uma reação comum dos adultos é tentar compensar: pedir que a criança coma tudo ao chegar em casa, ameaçar retirar alguma coisa de que gosta ou transformar a refeição em uma negociação. Segundo Giovana, essa não é uma boa estratégia.
“Pressionar, repreender ou punir a criança por não ter comido costuma gerar ansiedade e aumentar a aversão ao momento das refeições”, afirma.
A orientação está alinhada à abordagem de alimentação responsiva apresentada pela Sociedade Brasileira de Pediatria. A publicação da entidade orienta que os adultos tenham responsabilidade sobre o quê, quando e onde a criança come, enquanto a criança participa da decisão sobre quanto vai comer. [6]
Isso não significa deixar de prestar atenção quando uma criança come pouco. Significa não transformar cada refeição em um teste de obediência.
Se o alimento permanecer seguro para consumo, ele pode ser oferecido novamente em outro momento, sem transformar a recusa em uma cobrança. Giovana recomenda, por exemplo, que o alimento possa ser reoferecido no lanche da tarde, desde que tenha sido armazenado corretamente e esteja adequado para consumo.
O ponto principal é não transformar o episódio em uma espécie de punição: “Você não comeu na escola, então agora vai ter que comer”.
Inclua a criança na montagem da lancheira escolar
Uma das estratégias sugeridas pela nutricionista é transformar a criança em participante da montagem da própria lancheira. O adulto continua definindo quais opções estarão disponíveis, mas a criança pode escolher entre alternativas previamente selecionadas.
Em vez de perguntar simplesmente “o que você quer levar?”, por exemplo, os pais podem oferecer duas ou três possibilidades:
“Você prefere maçã ou banana?”
“Hoje quer iogurte ou leite fermentado?”
“Prefere pão ou outra opção de cereal?”
Esse tipo de participação permite que a criança tenha autonomia dentro de limites estabelecidos pelos adultos e está de acordo com a abordagem de alimentação responsiva, que valoriza a participação da criança sem transferir para ela a responsabilidade exclusiva pela organização da alimentação. [6]
Referências científicas:
[1] FNDE — Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Resolução nº 6, de 8 de maio de 2020.
[2] Ministério da Saúde. Guia Alimentar para a População Brasileira. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2014.
[3] Ministério da Saúde. Guia Alimentar para a População Brasileira. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2014.
[5] Gomes, M. et al. Probiotics for functional constipation in children: a systematic review and meta-analysis.
[6] Sociedade Brasileira de Pediatria. Dificuldades alimentares. Departamento Científico de Nutrologia.