A prisão de ventre, também chamada de constipação intestinal, é uma queixa comum na infância e pode ir muito além da dificuldade para evacuar. Quando o problema persiste, sintomas como dor abdominal, distensão, desconforto e sensação de evacuação incompleta podem interferir na qualidade de vida da criança, inclusive na rotina escolar e familiar, sabia? Estudos mostram associação entre constipação infantil e pior qualidade de vida, com impactos também em aspectos emocionais e no funcionamento escolar. [2][3]
Mas por que algo que acontece no intestino pode repercutir em outras áreas do dia a dia? Para entender essa relação e conhecer hábitos que podem ajudar no funcionamento intestinal, conversamos com a nutricionista Giovana Diniz Melo.
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O intestino e cérebro estão conectados
“O intestino não é só sobre fazer cocô”, explica Giovana. Segundo a nutricionista, existe uma comunicação constante entre o sistema gastrointestinal e o cérebro, conhecida como eixo intestino-cérebro. Na prática, quando a criança está constipada, o desconforto provocado pelo acúmulo de fezes pode afetar diferentes aspectos da rotina. [4]
“Dor abdominal, inchaço e mal-estar podem dificultar o relaxamento e o sono. E uma noite de sono ruim, por sua vez, pode prejudicar a atenção, memória e raciocínio no dia seguinte”, afirma.
A relação entre constipação e aspectos emocionais também vem sendo estudada. Uma revisão recente encontrou associação entre constipação funcional em crianças e adolescentes e fatores como ansiedade, comportamento e qualidade de vida. [4]
Outra revisão sobre o impacto psicossocial da constipação infantil também identificou repercussões emocionais, comportamentais e relacionadas à vida escolar e acadêmica. [3] Isso não significa que toda criança com prisão de ventre terá alterações de humor ou dificuldades na escola. A relação é complexa e pode envolver tanto os sintomas físicos quanto fatores emocionais e comportamentais.
Como a alimentação pode ajudar a melhorar a prisão de ventre?
De acordo com a nutricionista, a alimentação é uma das peças importantes no cuidado com a constipação. “Para o tratamento da prisão de ventre, devemos focar no reequilíbrio alimentar diário por meio de três pilares fundamentais: aumento gradual de fibras, hidratação adequada e consumo de gorduras saudáveis”, explica. [1]
As fibras ajudam a aumentar o volume das fezes e podem contribuir para melhorar sua consistência e o trânsito intestinal. Entre os alimentos que podem fazer parte da alimentação estão: [1]
- Frutas, como mamão e ameixa;
- Aveia;
- Chia e linhaça;
- Verduras e legumes;
- Feijão e outras leguminosas;
- Cereais integrais.
Uma atenção importante é que aumentar as fibras sem cuidar da hidratação pode não ajudar. Por isso, a ingestão de líquidos precisa acompanhar as mudanças na alimentação. [1]
Não é só o que a criança come, mas toda a rotina dela
A rotina também pode fazer diferença. Giovana recomenda criar um momento tranquilo para a criança ir ao banheiro, sem pressão ou cobranças. Uma estratégia é aproveitar o chamado reflexo gastrocólico, que estimula os movimentos intestinais após as refeições. “Criar uma rotina para ir ao banheiro, sem pressão, pode ajudar. Também é importante não segurar a vontade de evacuar”, orienta. [1]
Outro detalhe é a posição no vaso sanitário. Um pequeno apoio para os pés pode deixar os joelhos mais elevados e favorecer uma postura mais próxima da posição de cócoras. [1]
A atividade física regular também entra nessa rotina. O movimento corporal faz parte de um estilo de vida saudável e pode contribuir para o funcionamento intestinal. [1]
A rotina de sono também entram nessa conta
Para Giovana, cuidar do intestino não significa olhar apenas para a alimentação.
“Hidratação constante, consumo regular de fibras, atividade física, sono regulado e uma rotina adequada para ir ao banheiro são hábitos que podem fazer diferença”, afirma.
O objetivo é construir uma rotina que dê ao organismo condições para funcionar de maneira regular, sem transformar a ida ao banheiro em um momento de cobrança ou ansiedade. [1][3]
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E os alimentos fermentados, podem ajudar na prisão de ventre?
Alimentos fermentados, como iogurtes e leites fermentados, podem fazer parte de uma alimentação variada e fornecer microrganismos vivos.
Segundo Giovana, uma maneira interessante de incluir alimentos fermentados na rotina é combiná-los com fontes de fibras. “Para uma atuação mais eficiente no intestino, o segredo é combinar os leites fermentados com fibras prebióticas, que servem de alimento para essas bactérias”, explica.
A ideia é que o alimento fermentado seja parte de uma alimentação que também ofereça fibras, e não que ele seja visto isoladamente como tratamento para a prisão de ventre. Estudos sobre probióticos em crianças com constipação encontraram aumento na frequência das evacuações em alguns contextos, mas os próprios autores destacam limitações e heterogeneidade entre os estudos. [5]
Na prática, isso pode aparecer em combinações simples, como:
- Fruta + Leite Fermentado Chamyto;
- Aveia + fruta + Iogurte Chamyto Go;
- Mamão + chia + Leite Fermentado Chamyto Box.
Seja no Leite Fermentado ou no Iogurte de frutas, Chamyto proporciona uma experiência deliciosa para todos os momentos de lanches na escola, em casa ou em passeios. Com lactobacilos vivos que contribuem para o bom funcionamento do intestino e o fortalecimento da imunidade, ambos produtos também são fonte de zinco, contribuindo para o crescimento saudável, enquanto seu sabor delicioso agrada o paladar dos pequenos.
Quando a prisão de ventre infantil merece atenção?
Na maioria das crianças, a constipação é funcional — ou seja, não está relacionada a uma doença estrutural do intestino. Diretrizes clínicas apontam que a constipação funcional é a principal categoria de constipação pediátrica e apresentam recomendações específicas para sua avaliação e tratamento. [1]
Mesmo assim, alguns sinais indicam que é importante procurar avaliação profissional.
Giovana chama atenção para:
- Presença de sangue nas fezes ou sangramento retal;
- Perda de peso sem explicação;
- Dor abdominal intensa ou persistente;
- Mudança repentina do hábito intestinal;
- Sintomas que persistem ou não melhoram com as medidas adotadas;
- Histórico familiar relevante de doenças intestinais.
Nessas situações, o pediatra ou outro profissional de saúde poderá avaliar a criança e, quando necessário, encaminhá-la para um especialista.
Fontes científicas:
- Tabbers et al. — Evaluation and treatment of functional constipation in infants and children: evidence-based recommendations from ESPGHAN and NASPGHAN. J Pediatr Gastroenterol Nutr. 2014;58(2):258-274. PMID: 24345831.
- Rajindrajith et al. — Quality of life and somatic symptoms in children with constipation: a school-based study. J Pediatr. 2013;163(4):1069-1072.e1. PMID: 23800401.
- McCague et al. — The psychosocial impact of childhood constipation on the children and family: A scoping review. J Pediatr Nurs. 2025;82. PMID: 40253271.
- Higuera Carrillo et al. — Functional constipation in schoolchildren and adolescents and its relationship with anxiety, quality of life and behavioral factors: systematic review and meta-analysis. Rev Gastroenterol Peru. 2026;46(1):41-50. PMID: 42030131.
- Huang & Hu — Positive Effect of Probiotics on Constipation in Children: A Systematic Review and Meta-Analysis of Six Randomized Controlled Trials. Front Cell Infect Microbiol. 2017;7:153. PMID: 28503492.