Ciência e Saúde

Vitamina A baixa na infância pode facilitar o contágio de infecções em crianças?

2 de novembro de 2026

Giovana Diniz Mendes Melo Alves

Nutricionista Escolar e Materno-Infantil | Terapeuta ABA | CRN-4 098100372-9

Vitamina A baixa na infância pode facilitar o contágio de infecções em crianças?

Nariz escorrendo, tosse e outros sintomas de infecções fazem parte da rotina de muitas famílias com crianças pequenas. Embora não exista um alimento capaz de impedir que os pequenos fiquem doentes, uma alimentação variada e equilibrada ajuda a fornecer os nutrientes necessários para o bom funcionamento do organismo e a vitamina A tem um papel importante nesse processo.

Esse nutriente participa da manutenção das mucosas, que revestem estruturas como os olhos e as vias respiratórias, e contribui para o funcionamento adequado das defesas do corpo. Por isso, garantir uma ingestão suficiente de vitamina A é importante para a saúde infantil, especialmente durante as fases de crescimento e desenvolvimento.

Para entender melhor seus benefícios, os sinais que merecem atenção e como incluir fontes desse nutriente nas refeições das crianças, conversamos com a nutricionista Giovana Melo.

Veja também: Vitamina E na infância: por que esse nutriente merece mais atenção dos pais?

Como a vitamina A ajuda a proteger as crianças de viroses e infecções?

A vitamina A é conhecida principalmente por sua relação com a saúde dos olhos, mas suas funções vão muito além disso. Ela também participa de processos importantes do sistema imunológico, incluindo a manutenção das barreiras naturais do organismo e a regulação das respostas de defesa.

“A vitamina A atua por meio de seu metabólito biologicamente ativo, o ácido retinoico, exercendo controle transcricional e imunomodulador em múltiplos níveis da resposta imune infantil”, explica Giovana Melo.

Na prática, isso significa que o nutriente contribui para a integridade das mucosas, para o funcionamento de células de defesa e para a regulação da resposta imunológica. A vitamina A também participa da imunidade adaptativa, que envolve respostas mais específicas do organismo contra agentes infecciosos.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a deficiência de vitamina A pode aumentar o risco de adoecimento e de complicações associadas a algumas infecções infantis, especialmente em populações vulneráveis.

É importante lembrar, porém, que consumir vitamina A não garante que a criança ficará livre de gripes, resfriados ou outras viroses. O objetivo é evitar deficiências nutricionais e favorecer o funcionamento adequado do organismo, dentro de uma rotina que também inclua alimentação variada, vacinação em dia, sono adequado e acompanhamento pediátrico.

Veja também: Vitaminas para crianças: quais são as mais importantes e onde encontrá-las na alimentação?

Quais são os sinais de que a criança pode estar consumindo pouca vitamina A?

A deficiência de vitamina A pode se desenvolver sem sinais evidentes no início. Quando se manifesta clinicamente, pode afetar principalmente a visão e a saúde dos tecidos que revestem diferentes partes do corpo.

Um dos sinais mais conhecidos é a cegueira noturna, caracterizada pela dificuldade de enxergar em ambientes com pouca iluminação. Em situações mais graves, podem surgir alterações oculares, como ressecamento da conjuntiva e da córnea, que exigem avaliação médica imediata, pois podem comprometer a visão.

A pele também pode apresentar mudanças, como ressecamento acentuado e aspereza. Em alguns casos, a deficiência está associada a maior vulnerabilidade a infecções.

É importante destacar que sintomas como infecções recorrentes, diarreia, falta de apetite e alterações no crescimento podem ter diversas causas. Eles não confirmam, isoladamente, uma deficiência de vitamina A.

Se a criança apresenta dificuldade para enxergar em ambientes escuros, alterações nos olhos, infecções frequentes, perda de apetite persistente ou crescimento abaixo do esperado, a nutricionista recomenda procurar um pediatra para investigar a causa.

Quais alimentos do dia a dia são ricos em vitamina A?

Uma das maneiras de favorecer a ingestão adequada desse nutriente é variar os alimentos oferecidos ao longo da semana. A vitamina A pode ser obtida de fontes animais e vegetais, que fornecem formas diferentes desse nutriente.

A nutricionista destaca algumas opções que podem fazer parte da alimentação infantil:

  • Frutas: manga, mamão, caqui e melão amarelo.
  • Legumes e tubérculos: cenoura, abóbora cabotiá, batata-doce de polpa alaranjada e milho.
  • Verduras e outros vegetais: couve, espinafre, agrião e brócolis.
  • Alimentos de origem animal: gema de ovo, fígado, leite integral, Leite Fermentado Chamyto e outros.

A absorção dos carotenóides vegetais é favorecida quando consumidos em refeições que contêm alguma gordura.

3 ideias práticas para incluir vitamina A na rotina alimentar infantil

Não é preciso preparar receitas elaboradas para oferecer alimentos fontes desse nutriente. Algumas adaptações simples podem ajudar a diversificar o cardápio.

1. Crepioca de cenoura ou abóbora

Adicione cenoura ralada ou abóbora cozida e amassada à preparação, combinando os ingredientes conforme a receita e a idade da criança. É uma opção para variar o café da manhã ou o lanche.

2. Creme gelado de manga com Iogurte Chamyto Go Vitamina de Frutas

Bata a manga congelada com Iogurte Chamyto Go Vitamina de Frutas até obter uma consistência cremosa. A receita pode ser servida como sobremesa ou lanche, respeitando a textura adequada à idade da criança.

O iogurte possui lactobacilos vivos que promovem a manutenção de uma microbiota saudável, além de cálcio, que é essencial na alimentação para a saúde dos ossos, e zinco, um nutriente aliado da imunidade infantil.

3. Purê de abóbora ou batata-doce com frango desfiado

Cozinhe a abóbora ou a batata-doce até ficarem macias, amasse e sirva com frango desfiado ou outra proteína adequada à refeição. A combinação ajuda a variar os sabores e as cores do prato.

As preparações devem ser adaptadas à idade e à capacidade de mastigação da criança. Para os menores, é importante observar os cuidados necessários para prevenir engasgos e oferecer alimentos em consistências seguras.

E quando a criança rejeita vegetais?

A recusa de determinados alimentos é uma situação comum na infância. Em algumas fases, especialmente durante a introdução de novidades e o desenvolvimento da autonomia, a criança pode demonstrar resistência a experimentar sabores, aromas e texturas diferentes.

Esse comportamento pode estar relacionado à neofobia alimentar, que é a resistência ou o receio de experimentar alimentos novos. A abordagem mais indicada é oferecer oportunidades para a criança conhecer os alimentos sem pressão ou punições.

Segundo Giovana Melo, algumas estratégias podem contribuir para esse processo:

  • Ofereça novamente, sem forçar: a criança pode precisar de várias oportunidades para se familiarizar com um alimento.
  • Varie a apresentação: cenoura cozida, ralada ou incorporada a uma preparação oferece experiências diferentes de sabor e textura.
  • Convide a criança para a cozinha: lavar frutas, misturar ingredientes e ajudar em tarefas adequadas à idade são formas de aproximá-la dos alimentos.
  • Dê o exemplo: ver os familiares consumindo frutas, verduras e legumes pode favorecer a familiaridade com esses alimentos.
  • Mantenha um ambiente acolhedor: evite transformar as refeições em momentos de cobrança ou disputa.

O contato com um alimento não precisa terminar com a criança comendo. Observar, tocar, cheirar ou ajudar a preparar também pode fazer parte do processo de familiarização.

Se a recusa for muito intensa, persistente ou vier acompanhada de dificuldades para mastigar, engolir, crescimento inadequado ou uma variedade alimentar muito limitada, vale procurar o pediatra e um nutricionista com experiência em alimentação infantil.

Quando a alimentação é suficiente e quando a criança precisa de suplemento?

Uma alimentação variada pode fornecer a vitamina A necessária para muitas crianças. No entanto, as necessidades nutricionais mudam conforme a idade, o crescimento, as condições de saúde e a qualidade geral da dieta.

“A alimentação é suficiente quando atende integralmente às necessidades de energia, macronutrientes e micronutrientes para o crescimento e o neurodesenvolvimento da criança”, explica Giovana Melo.

A nutricionista ressalta que a avaliação deve considerar o conjunto da alimentação, o crescimento e as condições clínicas da criança. Uma dieta pouco variada, restrições alimentares, algumas doenças ou problemas de absorção podem aumentar o risco de deficiências nutricionais.

Em determinadas situações, a suplementação pode ser recomendada como medida preventiva ou para tratar uma deficiência identificada. No Brasil, o Ministério da Saúde mantém estratégias específicas de suplementação de vitamina A para grupos infantis elegíveis, conforme os critérios dos programas de saúde.

A suplementação não deve ser feita por conta própria. A vitamina A é lipossolúvel, pode se acumular no organismo e, em excesso, causar efeitos tóxicos. A indicação, a dose e a duração do uso devem seguir a orientação de um profissional de saúde.

Também não é necessário oferecer suplementos apenas porque a criança fica resfriada com frequência. O pediatra poderá avaliar o histórico de saúde, a alimentação, o crescimento e a necessidade de exames ou intervenções específicas.

Sabia que o Leite Fermentado Chamyto Box é fonte de Vitamina A?

Chamyto Box é um leite fermentado que é fonte vitaminas A, C, D e E, além de conter lactobacilos vivos, que contribuem para a manutenção de uma microbiota saudável e melhoram o funcionamento do intestino, ajudando a manter o equilíbrio da flora intestinal. É uma opção ideal para o lanche escolar e para levar em passeios, pois oferece benefícios nutricionais importantes em uma embalagem prática.

Fontes científicas:

  1. Organização Mundial da Saúde (OMS). Vitamin A supplementation in infants and children 6–59 months of age. Informações sobre a importância da vitamina A, deficiência e suplementação infantil. Disponível em: https://www.who.int/tools/elena/interventions/vitamina-children
  2. Ministério da Saúde. Deficiência de vitamina A. Biblioteca Virtual em Saúde. Informações sobre funções, sinais de deficiência e fontes alimentares. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/deficiencia-de-vitamina-a-2/
  3. Ministério da Saúde. Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A. Informações sobre a estratégia de prevenção e controle da deficiência de vitamina A no Brasil. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/nutrisus/programa-nacional-de-suplementacao-de-vitamina-a
  4. Ministério da Saúde. Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos. Orientações para uma alimentação adequada e saudável na primeira infância, incluindo informações sobre suplementação quando indicada. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-brasil/eu-quero-me-alimentar-melhor/Documentos/pdf/guia-alimentar-para-criancas-brasileiras-menores-de-2-anos.pdf
  5. Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Dificuldades alimentares. Orientações sobre recusa alimentar, seletividade e estratégias de abordagem durante as refeições. Disponível em: https://www.sbp.com.br/pediatria-para-familias/nutricao/dificuldades-alimentares/
  6. National Institutes of Health (NIH), Office of Dietary Supplements. Vitamin A and Carotenoids — Fact Sheet for Health Professionals. Referência complementar sobre funções, fontes alimentares, absorção e segurança da vitamina A. Disponível em: https://ods.od.nih.gov/factsheets/VitaminA-HealthProfessional/