Ansiedade e intestino: o que a ciência descobriu sobre essa conexão surpreendente

11 de maio de 2026

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Quando uma criança ou adolescente apresenta sinais de ansiedade, agitação ou dificuldade de concentração, é comum que os pais pensem primeiro na rotina, nas telas, na escola ou no excesso de estímulos. Mas a ciência tem olhado cada vez mais para outro ponto importante: o intestino.

Isso acontece porque o intestino e o cérebro mantêm uma comunicação constante, conhecida como eixo intestino-cérebro. Essa relação ajuda a explicar por que a saúde intestinal pode influenciar não apenas a digestão, mas também aspectos ligados ao humor, ao estresse e ao bem-estar emocional.

O que é o eixo intestino-cérebro?

O eixo intestino-cérebro é uma via de comunicação entre o sistema digestivo e o sistema nervoso. Em outras palavras, o que acontece no intestino pode enviar sinais ao cérebro, e o cérebro também pode influenciar o funcionamento intestinal.

De acordo com a nutricionista Tania Abreu, “a saúde intestinal está intimamente ligada à saúde e o bem estar do hospedeiro.” Ela explica que o desequilíbrio intestinal, também chamado de disbiose, acontece “quando o número de bactérias patogênicas é maior que bactérias benéficas”.

Segundo o estudo ”*The Gut Microbiome and Child and Adolescent Depression and Anxiety: a Systematic Review and Meta-Analysis with Youth Consultation*” (2025), alterações na microbiota intestinal vêm sendo estudadas pela possível relação com sintomas de depressão e ansiedade em crianças e adolescentes.

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Por que o intestino pode influenciar a ansiedade?

Um dos pontos mais estudados nessa relação envolve os neurotransmissores, substâncias químicas que participam da comunicação entre as células nervosas. Entre eles está a serotonina, conhecida por sua relação com o humor, a ansiedade e a sensação de bem-estar.

Como destaca Tania: “Como 90% da serotonina é sintetizada no intestino. Ela modula o humor, controle da ansiedade e atenção (Campesi 2025)”.

A nutricionista também cita o estudo “Gut Microbiota in Various Childhood Disorders: Implication and Indications” (World Journal of Gastroenterology, 2022), ao explicar que a redução da concentração de serotonina no cérebro pode prejudicar o funcionamento cerebral.

Sinais digestivos também merecem atenção

Nem toda agitação infantil está relacionada à alimentação, e sintomas de ansiedade devem ser avaliados com cuidado por profissionais de saúde. Ainda assim, alguns sinais digestivos podem indicar que a saúde intestinal não está funcionando tão bem.

Segundo Tania Abreu, “O excesso de gases (flatos) e prisão de ventre são sinais que a saúde intestinal não está muito boa”.

Por isso, observar a frequência intestinal, o desconforto abdominal, os gases e a relação desses sinais com determinados alimentos pode ajudar os pais a entenderem melhor a rotina da criança.

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O primeiro passo está no prato

Para famílias que percebem os filhos mais ansiosos, agitados ou com desconfortos digestivos frequentes, mudanças na alimentação pode ser um bom ponto de partida para entender o que está acontecendo e buscar soluções.

A orientação da nutricionista é fazer uma “dieta de exclusão”: “Retirar todos os ultraprocessados – que são alimentos ricos em açúcar refinado, sal, gordura, corantes, aditivos químicos, realçadores de sabor, emulsificantes, espessantes aromatizantes, etc –, acrescentar na alimentação frutas, verduras, legumes, sucos naturais, cereais integrais e aumentar o consumo de água”.

Essa recomendação conversa com o Guia alimentar para a população brasileira, do Ministério da Saúde (2014), que define os ultraprocessados como formulações industriais feitas majoritariamente de substâncias extraídas de alimentos ou sintetizadas em laboratório, como corantes, aromatizantes, realçadores de sabor e outros aditivos.

Como incluir bons hábitos na rotina?

A melhora da alimentação não precisa começar com grandes mudanças. Pequenas trocas no café da manhã, no lanche da escola e nas refeições principais já podem ajudar a construir uma rotina mais equilibrada, além da inclusão do exercício físico.

Frutas, cereais integrais, verduras, legumes, água, iogurtes e Leite Fermentado Chamyto podem fazer parte desse processo, sempre respeitando as necessidades individuais da criança e as orientações de profissionais de saúde.